Olá a todos!
Como já é habitual o mês de Março traz entrevistas. Esta já era para ter sido partilhada no passado sábado, mas não me foi de todo possível fazê-lo.
Sobre a entrevistada do dia de hoje. Não nos conhecemos pessoalmente, mas um dia destes vai acontecer.
Comecei a seguir a Ana porque um dos seus vídeos de maquilhagem apareceu-me como sugestão de visualização e fiquei logo fã!
Mais tarde vim a descobrir a mulher cheia de criatividade que ela é.
Deixo-vos então com a Ana Pombinho Ramos.
- Para quem ainda não te conhece, quem é a Ana Pombinho?
A Ana Pombinho é a eterna sonhadora. Mas mais que sonhar, faz por acontecer. Sinto-me orgulhosa em dizer que as coisas que tenho sonhado fazer, tenho tido a sorte de poder concretizar, à sua medida, e da melhor forma. Sonhava e sonho com música, tive a oportunidade de trabalhar com um produtor e lançar uma música. Sonhava com representação e decidi fazer alguns cursos, estando agora a frequentar um, e já fiz também alguns anúncios. Acho que a Ana Pombinho se resume a sonhos e realizações.
- Profissionalmente és Hospedeira de Bordo, sempre a profissão que sonhaste ter?
Bem, uma pequena correção! Neste momento somos Assistente de Bordo ou Comissário de Bordo (para os homens) heheh .
Não digo que tenha sempre sonhado. A minha madrinha e padrinho são do meio já há mais anos que eu tenho de vida, por isso cresci a vê-los fardados e a contar histórias que se passavam no avião. Ao ver a minha madrinha fardada sempre me deslumbrava e pensava com os meus botões, “ela é tão bonita! Eu nunca vou conseguir ser Assistente de Bordo!”. A verdade é que descobri mais tarde, com aprendizagens da vida, que para ser Assistente de Bordo não é preciso ser bonita, nem era preciso ter uma licenciatura!
Estava no 10º ano quando decidi que esse seria o meu caminho. Sonhava com ele e fiz para que acontecesse. Fui para a faculdade e tirei uma licenciatura em Tradução. Quase a terminar a licenciatura, fui chamada para trabalhar na Hifly. E foi assim que começou este caminho. E já lá vão 8 anos.
- Quais são os pontos positivos e negativos desta profissão?
Pontos positivos:
Salário e subjacentes: Apesar de continuar a achar que recebemos mal para o que fazemos, somos da classe trabalhadora que melhor recebe, e para uma média nacional tão baixa, isso coloca-nos um pouco mais acima na cadeia. Temos direito a seguro de saúde o que traz muitas vantagens.
Conhecer países: Apesar de muitas vezes não termos a oportunidade de conhecer o sitío onde vamos dormir, muitas vezes temos e dá-nos outra bagagem de vida. Ajuda-nos a abrir horizontes e pontos de vista.
Benefícios de viagens: Apesar de não ser garantida a nossa entrada no avião (os nossos bilhetes são sem reserva, ou seja, se um passageiro pagante vier à nossa frente, é este que tem prioridade), os custos destas viagens são bem menores e estende-se para família direta e amigos.
Flexibilidade de horário: o horário acaba por ser mais flexível e dinâmico. Nuns dias trabalha-se mais, noutros dias trabalha-se menos. Podemos ter um dia que trabalhamos 12h seguidas e outro fazemos 6h.
Pontos negativos:
Despertares de madrugada: por vezes temos que acordar em hotel ou em casa às 2h, 3h, 4h… e por aí adiante. Ah, importante referir que é 2h da manhã, e não da tarde. O que traz outros problemas, como problemas de sono. Grande parte dos tripulantes tem problemas de sono.
Ausente em dias importantes: Apesar de termos a facilidade de pedir os dias com 1/2 meses de antecedência, nem sempre é possível que isso aconteça. O que faz que estejamos longe em aniversários, eventos especiais… é importante que as pessoas convidem com alguma antecedência para eventos importantes para que possamos ter a oportunidade de pedir o dia.
Trabalhar em altitude: Apesar de ser um sonho trabalhar nas nuvens, também tem os seus quês em relação à saúde do tripulante. Como radiações cósmicas e trabalhar em altitude.
- Tu para além da tua profissão és uma mulher super activa? Já entendi que és muito criativa. Esses interesses derivam de alguma influência familiar?
Sem dúvida. A minha avó era super prendada e talentosa. Era costureira e fazia coisas lindíssimas, tenho peças guardadas que me fez quando era criança que vou guardá-las para sempre e quem sabe um dia poder partilhar com os meus filhos.
O meu avó era carpinteiro e muito talentoso também. O meu tio Rui acabou por lhe seguir os passos e ainda hoje é a sua profissão.
A minha Mãe! A minha querida Mãe, Tia Zelda para a família. Super talentosa e prendada. É capaz de fazer tudo. Costurar, bordar, croché, macramé, sempre fez as pinturas lá de casa, faz trabalhos manuais lindíssimos como a técnica do guardanapo e muito mais. A minha Mãe é a minha verdadeira inspiração.
Eu apenas segui o exemplo e inspiração que vi a minha vida toda, e acho que também nasci com alguma naturalidade para a coisa. É preciso ter alguma vocação e talento claro.
- Adoro os teus vídeos de maquilhagem, mesmo aqueles feitos de madrugada, este teu gosto pela maquilhagem, aconteceu por necessidade ou mais pela curiosidade?
Começou com curiosidade primeiro, ao ver a minha mãe pintar-se na casa de banho desde tenra idade. Quando cresci, por volta dos 13 anos comecei a pintar-me e a dedicar tempo a aprender no youtube que na altura foi um grande aliado e excelente professor.
Hoje em dia, claro que devido à minha profissão, faço-o por necessidade mas ao mesmo tempo com imenso gosto por esta arte. Acho que dá deu para perceber que adoro arte?
- Uma área que também investes algum do teu tempo, é a área da representação. Como surgiu esse interesse?
Honestamente desde sempre. Mas apenas tomei coragem quando tinha 25 anos, por aí, quando decidi inscrever-me numa agência de modelos comercial. Pensei, já és adulta, já sabes lidar com inseguranças e frustrações que tenhas aí dentro, agora é bola para a frente. Melhor tentar do que nunca ter feito nada. E foi o que fiz. Fui a muitos castings o que me deu imensa experiência em frente à câmera, mas senti que não era suficiente. Acabei por tirar um curso intensivo para televisão e cinema, e não sendo suficiente fiz o segundo nível do curso. Agora estou a tirar um curso de teatro, é só uma vez por mês, mas já me mantém dentro do meio.
Também já fiz alguns workshops na área. Houve um que adorei e foi super interessante: dobragens de desenhos animados! Gostei tanto que acabei por ter aulas de “PT de Voz” para aprender melhor a arte que é dobrar.
- Qual é o teu objectivo? Apenas ter mais "know-how" na área, ou gostavas de chegar aos ecrãs lá de casa, ou quem sabe a um grande palco?
Eu sonho em chegar ao grande ecrã, mas sem pressa nem pressão. Um dia de cada vez e logo se proporcionará. Se não acontecer, sei que foi porque assim a vida o quis (e eu também.). Mas gostava de continuar na área.
- Como criativa que és, há pouco tempo everendaste pelo caminho do artesanato. Queres-nos contar que trabalhos são esses?
Estes trabalhos são velas artesanais, pode envolver uma vela de copo, ou um bouquet de velas em caixa. Ainda estou à descoberta nesta área mas sinto que tenho aprendido rápido e bem. Tenho bastante criatividade e o Instagram e o Pinterest ajudam imenso na evolução criativa.
Gostava de um dia ter a minha marca. Mas tenho de estudar melhor o mercado.
- Por entre todos estes desafios, profissionais e nos tempos livres, o que te move?
A resposta é simples: a vida. É a vida que me move. Adora a vida, adoro viver e adoro estar viva! Adoro aprender o máximo que posso, o que me faz querer estar em todo o lado, como dá para ver heheh
Enquanto houver vida e para o que viver, estarei lá.
- E a música é outra porta da tua criatividade. Cantas em alguma banda? O que significa a música para ti?
Bem, começando pelo princípio dos princípios. A música já me acompanha desta forma mais criativa desde o 8 anos de idade desde que me pediram para cantar numa festa de natal no trabalho (da altura) da minha mãe. A partir daí foi sonhar.
Pedi o meu primeiro instrumento aos 11 anos, a minha primeira guitarra. Mais uma vez o YouTube foi um meu grande aliado e aprendi a tocar sozinha e a fazer covers de músicas que gostava na altura. Também escrevia muito. Músicas que na altura faziam todo o sentido, outras mais engraçadas. Olhando para trás, eram claramente músicas de miúda de 11 anos heheh.
Por volta dos 12/13 anos comecei a partilhar no YouTube. Já não o faço tanto, mas era algo que amava fazer! Nessa altura, envolvia amigas a filmar e ajudar-me no processo. Foram momentos bem passados.
Aos 14 anos fui para o Coro Santo Amaro de Oeiras onde estive mais ou menos 2 anos. Foram anos espetaculares, aprendei imenso sobre música e espírito de coro, o cantar numa só voz. Cheguei a ter aulas (no Coro) de piano e guitarra para consolidar aquilo que já tinha aprendido. Mais tarde fui para uma escola de música mais perto de casa onde tive aulas de piano e voz e não me recordo se de guitarra também, mas nessa escola convidavam os alunos para fazer parte de uma banda e claro que eu disse que sim. Ainda fomos a alguns eventos e foi também uma experiência para não esquecer.
Mais tarde andei à procura de produtores para poder gravar músicas que tinha guardadas na gaveta. Tinha uma amiga que trabalhava em televisão e perguntei se havia alguém que pudesse contactar. Consegui uma pessoa para gravar umas músicas e fazer o lançamento do meu primeiro single “Voa Coração”. Foi uma experiência maravilhosa e bastante enriquecedora. E mais que tudo, foi bom ver uma parte de mim ser reconhecida. Não chegou à rádio heheh mas a verdade é que não precisava. Sentia-me realizada, no entanto sem sucesso. Mas uma coisa não invalida a outra.
A música o que significa para mim? Tudo. Oiço músico quanto estou feliz. Oiço música quando estou triste. Oiço música quando preciso de voltar a adormecer. Oiço música para estar só… comigo… nos meus pensamentos. Música é vida. E Vida é música. Música faz sonhar e faz por acontecer.
Normalmente associamos uma música a um acontecimento especial, ou não, das nossas vidas. É o quão impactante é.
Poderia ficar o dia inteiro a explicar o porquê, dizer que vai desde os tempos que nem sequer haviam palavras faladas como as conhecemos hoje, e que as pessoas já cantavam.
Vida com Música é uma das mais belas formas de viver com e em liberdade. Quem diz que não ouve música, é-me suspeito e talvez um psicopata hahah.
- Uma frase que te acompanhe e com que te identifiques.
Não me recordo de nenhuma frase de um grande pensador mas uma frase que a minha mãe me dizia quando estava mais nervosa para alguma entrevista, ou algum acontecimento que eu precisava de “ser o centro das atenções”: “Só tens de ser tu mesma!”.
É uma frase tão simples que pode significar nada para quem me lê, mas a verdade é que com tanto stress, nervosismo e falta de confiança nestes momentos, ouvir a nossa mãe dizer isto é como se estas palavras nos abraçassem e curassem qualquer coisa. Que ser seu mesma é o que basta. E é.
- Uma música que faça parte da tua vida.
Esta é difícil porque são mesmo muitas. Mas posso começar com a “Vivir” do Pablo Alborán. Fala de como temos de viver a vida, não importa o que digam ou façam, temos de viver a nossa vida e tê-la como nossa - sempre! - e sempre, no nosso comando.
Obrigada Ana pela tua disponibilidade.
E votos de muito sucesso em todos os teus projectos futuros.
Sandra C.








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