
Já sei... vais pelo caminho das flores, ao fim ao cabo, é o mais surpreendente e bonito, começas a dirigires-te para lá, inspiras fundo, sentes o perfume das flores, o cantar dos pássaros, tudo parece um verdadeiro encanto, continuas a andar mais para a frente e algo de estranho te surpreende no meio das plantas, é um pequeno ser que se aproxima e que se cola às tuas pernas e que te apela “vem o caminho é por aqui...”, tu por momentos duvidas, olhas para trás mas já não vês nem o caminho da esquerda, nem a colónia de nuvens, agora és tu, só tu podes decidir o que fazer.
Alegremente segues a criatura, ela vai indicando o caminho a seguir, vais encontrando cascatas de água borbulhante cor-de-rosa, paras e num momento de estranha decisão resolves saltar para dentro da lagoa rosa.
A tua primeira impressão é agradável, perfumada, doce, cheira a frutos... mergulhas e sentes-te maravilhado pelo que se apresenta perante os teus olhos, “ninhos” de corais, peixes coloridos que vão mudando de cor ao tentares tocá-los, mais ao fundo vês algo de estranho mas ao mesmo tempo que te puxa para si, como magnetismo, vais até lá, a criatura à vista desarmada parece-te bem, inofensiva, aproximas-te mais e ao tentares tocá-la ela lança um jacto de líquido gelatinoso que te vai envolvendo, aos poucos começas a sentir-te dormente, já não sentes as mãos, as pernas, começas a sentir-te confuso, queres voltar para cima...mas já é tarde de mais, foste apanhado na trama do medo.
Tu perguntas porquê, sentes-te indefeso, impotente, as tuas forças foram engolidas por aquela criatura e tentas gritar.....mãe, pai, ajudem-me... não vem que estou perdido?
Acordas... olhas à tua volta, a criatura já desapareceu, as tuas pernas e os teus braços estão ai, mas ainda dormentes, olhas para a almofada e vês que ela está molhada, os lençóis e cobertores no chão... mas onde é que estão todos? Deixaram-me aqui sozinho? De repente lembras-te... que já te deixaram sozinho há muito tempo... lembras-te eles te usavam como se fosses um troféu para poder mostrar aos amigos. Com o dinheiro compravam-te roupa, inscreveram-te em inglês, deram-te um computador, até as amizades, mas nunca foram o suficientemente ricos para te dar a única coisa de que precisavas, o amor!
Hoje, que já não és uma criança, ou pelo menos não és uma criança igual às outras, há muito que decides a tua vida sem que te impeçam ou te chamem à razão para o que é certo ou errado. Por isso estás por tua conta e risco, porque eles dizem que criaram um monstro, que envergonhas a família, mas não ligues... , na encruzilhada onde tu estavas, eram eles que deviam lá estar para te ajudar a descobrir o caminho certo.
Agora que acordaste do teu sonho mau, tens a vida nas tuas mãos, tens uma vida inteira para decidires o que é melhor para ti, abre os olhos, abre a alma e faz-te à vida, porque a vida precisa de ti!
Já agora... quando um dia tiveres filhos, dá-lhes primeiro amor e só depois exige deles o que quer que seja!
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