
Eu tenho um carinho muito especial por este senhor, não só como actor, mas como pessoa também. Não o conheço pessoalmente, já tive oportunidade de manifestar o meu apreço, mas a minha timidez não permitiu que o fizesse. Pode-vos parecer estranho, mas não tenho coragem para interpelar ninguém na rua, com comentários do género “Você é ...., não é?” Acho que as pessoas conhecidas têm mais do que ninguém, direito a ter a sua privacidade, a mim chega-me olhá-las de perto, poder observar o seu cabelo, olhar as suas rugas e entender que são pessoas como nós, não seres intocáveis.
Há alguns anos atrás, por altura em que Ruy de Carvalho fazia a peça “Rei Lear”, encontrei-o perto do Rossio, tinha estacionado o seu carro e eu ia a passar, fiquei tão... não sei que palavra utilizar, tão pasma de ver que estava tão perto de mim, que parei no passeio e sei que me deu passagem, eu agradeci, olhei-o com respeito e pude ver de perto o seu ar cansado e pensei para comigo, “as histórias fantásticas que este senhor deve ter para contar...”.
Comecei a tomar consciência do seu trabalho, na altura da novela “Vila Faia”, ele e a Mariana Rey Monteiro fascinavam-me.
Uns anos depois, devia ter os meus 10/12 anos ia de viagem com os meus pais e estávamos parados na fila de trânsito, quando olho para a fila do lado e vejo que dentro de um carro estava Ruy de Carvalho e a esposa, começo eu para os pais, “Olha, olha quem está ali?”, olhei, olhei, até que se aperceberam e disseram adeus. Eu achei aquilo fantástico... Nunca me esqueci.
Gostava muito de ter a oportunidade de o conhecer, mas vou-me contentando em vê-lo na televisão e partilhar consigo, ainda que modestamente a mesma arte.
Perante os seus 80 anos me curvo, agradecendo do fundo do coração, o seu contributo para que eu gostasse de pisar as tábuas de um palco.
Continue a emocionar com as suas personagens, tanto no palco, como na televisão, assim como na vida real.
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