
Foto in http://www.isabelallende.com/
Isabel Allende deve ser a escritora que até hoje mais me fez emocionar a ler um livro. Dos seus 16 livros, pelo menos metade deles já os li (estão sublinhados a cor diferente) e sempre com muito agrado. Acho que o primeiro foi a Casa dos Espíritos, após ter visto o filme por duas vezes, ainda hoje emociono-me ao vê-lo sentia uma mistura de tristeza com riso, com revolta.
Ao ler o livro voltei a senti-lo mas de uma maneira mais intensa. A sua escrita envolve-nos de modo a que consigamos passar para o lado de lá do livro e quando menos esperamos estamos a viver de perto as mesmas emoções que as personagens, as mesmas dores e angústias. Nos seus livros mesmo sem nunca lá ter estado acho que conheço as paisagens e os sítios que a escritora descreve com primor e simplicidade sem se tornar maçadora.
De todos os livros o que mais mexeu comigo foi o “Paula”, lembro-me que ao lê-lo no comboio quantas vezes tinha que me conter para não chorar, muitas vezes era difícil, então fingia estar a ter um ataque de rinite alérgica e limpava as lágrimas que teimavam em correr pela minha cara, palavras como “(...) Garantiu-me que o estado de coma é como dormir sem sonhos(...)
Tenho a alma afogada em areia, a tristeza é um deserto estéril. Não sei rezar, não consigo alinhavar dois pensamentos (...) “As palavras em baixo descrevem como a escritora contou a um dos doentes do hospital o que se passava com Paula:
“ (...) Era uma vez uma princesa a quem no dia do baptismo as suas fadas cobriram de dons, mas um bruxo colocou uma bomba relógio no seu corpo, antes que a sua mãe o pudesse impedir. Na altura em que a jovem cumpriu vinte e oito felizes anos todos se tinham esquecido do malefício, mas o relógio contava inexoravelmente os minutos e um dia a bomba explodiu sem ruído.(...)Quando a sua filha resolveu partir foram com estas palavras de mãe, mulher e contadora de histórias que Isabel definiu o momento:
“ (...) Na madrugada de domingo de 6 de Dezembro, após uma noite prodigiosa em que se abriram os véus que ocultam a realidade, morreu a Paula. Eram quatro da manhã. (...) Como é simples a vida, afinal de contas... (...)
Em última instância a única coisa que tenho é o amor que lhe dou. (...) Paula ficou cor de opala, branca, transparente...tão fria! A frialdade da morte provém das entranhas, como fogueira de neve a arder por dentro; ao beijá-la o gelo ficava-me nos lábios, como uma queimadura. (...) A sua missão neste mundo foi a de unir aqueles que passaram pela sua vida e nessa noite sentimo-nos todos acolhidos sob as suas asas siderais, imersos naquele silêncio puro onde talvez reinem os anjos. (...)As últimas palavras deste livro descrevem uma mulher aliviada mas ao mesmo tempo conscienciosa do seu lugar no mundo:
“Sou o vazio, sou tudo o que existe, estou em cada folha do bosque, em cada gota do orvalho, em cada partícula de cinza que a água arrasta, sou a Paula e também sou eu própria, sou nada e tudo o resto nesta vida e noutras vidas, imortal. (...).Por isto e por tudo agradeço a Isabel Allende por existir como mulher e como escritora, a quem ainda não leu nenhum dos seus livros, deixo aqui o convite:
A Casa dos Espíritos (1982)»
De Amor e de Sombra (1984) »
Eva Luna (1987) »
Contos de Eva Luna (1988)»
O Plano Infinito (1991)»
Paula (1994))»Afrodite (1998)
A Filha da Fortuna (1999)»
Retrato a Sépia (2000)»A Cidade dos Deuses Selvagens
O Reino do Dragão de Ouro
O Bosque dos Pigmeus»O Meu País Inventado
Zorro, O Começo da Lenda (2005)
Trilogia As Memórias da Águia e do Jaguar
Inés da Minha Alma (2006)
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