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Entrevista - Rita Sousa - A Sweet Dreamer


Olá a todos!

Não estavam à espera de uma entrevista hoje, pois não?

Pois é, mas hoje, comemora-se o Dia Mundial da Pastelaria, então trago-vos um projecto especial e a pessoa que está à frente dele. A Rita Sousa. Conheci-a talvez o ano passado, não me recordo ao certo a altura, mas resolvi segui-la porque achei muita piada o facto de o primeiro projecto da Rita, o "Custard Natas", estar na zona de Odivelas.

Daí até nos conhecermos pessoalmente foi um pulinho e se já simpatizava com este projecto, apesar de não comer bolos 😆, quando conheci a Rita e o Paulo pessoalmente passei a ser fãs deles.

Então hoje dou-vos a conhecer a Rita, o "Custard Natas" e o "Custard Cookies".


- Rita, existem muitas pessoas que já te conhecem, mas para quem ainda não te conhece, quem é a Rita Sousa?

Ora bem, se calhar vou contar um bocadinho da minha história. Nasci e cresci na zona Oeste de Portugal – no Bombarral, na terra da pêra rocha que é a única fruta de que não gosto -, mais precisamente há 31 anos atrás. Com 18 anos mudei-me para Lisboa para estudar e formei-me em Psicologia Clínica. 

Exerci durante dois anos numa associação que trabalhava com crianças e jovens até aos 18 anos vindos dos mais diversos contextos, e dois anos depois decidi mudar a minha área de actuação e dediquei-me a 100% ao Recrutamento na área de IT. 

Em 2020, o amor levou-me até à Holanda, onde vivi durante dois anos e em 2022 regressámos a Portugal. 

Sempre fui muito ligada a tudo o que sejam trabalhos manuais – desenho, costura, DIY, e claro, a culinária (em particular, a pastelaria) sempre ocuparam um cantinho muito especial no meu coração! 

Quem me quer ver feliz é no meio de livros de culinária a descobrir a nova receita que vou fazer


- O gosto pela pastelaria, começou de que forma? Por inspiração de alguém de família, por curiosidade ou simplesmente aconteceu?

Desde miúda que gosto de fazer bolos, de estar na cozinha e de comer. Nesta altura a minha arte cingia-se a sandwiches cortadas em forma de bonecos da Disney e recheadas de maionese e salsichas… (todos começamos por algum lado, certo?). 

A minha mãe nunca teve grande gosto pela culinária e fazia o essencial mas não tinha grande paciência para ensinar e para que eu sujasse a cozinha toda, então acabei por desenvolver ainda mais o gosto desde que comecei a viver sozinha, quando vim estudar para Lisboa aos 18 anos. 

Aí sim, tinha a oportunidade de experimentar e sujar quanto eu quisesse, e descobri que gostava muito de cozinhar e especialmente de cozinhar para os outros! 


- ⁠Antes da "The Custard Cookies" esta aventura começou com "The Custard Natas". Como nasceram estes projectos? E a origem do nome?

The Custard Natas’ nasceu em 2020, plena pandemia, em Eindhoven na Holanda. Nasceu das saudades que eu tinha da comida portuguesa, em especial dos pastéis de nata. 

Decidi fazer uma publicação num grupo de Facebook para residentes estrangeiros em Eindhoven a dizer quem era, e que fazia pastéis de nata portugueses para vender. Duas horas depois tinha recebido 30 mensagens de pessoas que queriam encomendar para o dia seguinte e as encomendas só chegaram ao fim no dia em que voltámos a Portugal. 

Fazíamos cerca de 600 pastéis de nata por semana, numa casa de 40m2, com um forno pequeno e comigo e com o Paulo a termos de dividir uma mesa entre reuniões e caixas de pastéis de nata. 

Sim, porque estávamos os dois a trabalhar a tempo inteiro e aquilo que começou por uma brincadeira, acabou por se tornar no nosso segundo emprego. 

Quando não estávamos dedicados aos nossos trabalhos, estávamos a tratar dos pastéis de nata, fosse na sua preparação, embalamento ou nas entregas – fazíamos entregas na cidade de Eindhoven de bicicleta e enviávamos para o país inteiro através do correio deles que chegava sempre no dia seguinte de manhã. 

O nome surgiu da junção do termo em inglês (custard tarts) e do português. Queríamos alguma coisa que fosse fácil de pronunciar em inglês mas que tivesse um toque português, daí ter surgido ‘The Custard Natas’. 

Quando voltámos a casa, percebemos que o nosso projecto tinha de ficar em stand-by porque não era fácil replicá-lo cá e além disso, pastéis de nata não faltam por aí. 

Assim, nasceu a ‘The Custard Cookies’! Tanto eu como o Paulo gostamos muito de cookies e sentimos que havia falta de cookies estilo americano, daquelas grandes e recheadas em Portugal. Testámos receitas, provámos e voilá!



- ⁠Este são projectos feitos a partir de casa, num futuro próximo vir a ser um projecto de uma loja aberta ao público?

Num futuro próximo não creio, pelo menos não no modelo habitual de pastelaria. O nosso objectivo é que nos consigamos posicionar como a maior loja de cookies da Europa, uma vez que já conseguimos enviar para vários países garantindo sempre a qualidade e a frescura das mesmas. 

O que não está for a de questão é criarmos locais para pick-up, ou recolha das encomendas, mas veremos o que o futuro nos reserva.


- Porquê pastéis de nata e cookies e porque não outras receitas?

Essa é fácil! Pastéis de nata porque é um (se não O) meu doce favorito!

E as cookies porque são muito versáteis, podemos criar imensas variações sem sairmos do tema e combinar diversos sabores. 

É um doce onde eu posso dar asas à minha imaginação! 


- ⁠Para chegares à receita base das tuas cookies foi um longo processo, existiram muitas tentativas erro?

Sim, não necessariamente com a receita mas com os diferentes ingredientes e a qualidade dos mesmos. 

Tivemos de testar várias marcas de chocolates, várias quantidades e proporções para chegarmos ao resultado que temos hoje. 


- Como tem sido a reação do teu público ao teu caminho? Tens pessoas que já te acompanham faz muito tempo?

A reação tem sido bastante positiva! Mesmo algumas pessoas que não gostam tanto de cookies atrevem-se a experimentar e na maioria o feedback tem sido positivo. 

Temos algumas pessoas que já nos acompanham desde a Holanda, que já eram clientes dos nossos pastéis de nata e que também já nos encomendaram cookies quando vêm a Portugal e mesmo para enviarmos para lá. 

É muito reconfortante sentir este apoio!


- Hoje este negócio das cookies já está num patamar diferente. O que mudou? Como chegas ao teu público?

Mudou essencialmente a profissionalização da cozinha e do espaço em que trabalhamos. 

Já não utilizamos um forno pequeno e convencional, investimos bastante nessa parte para garantir que a qualidade máxima dos nossos produtos, bem como na sua forma de conservação e embalamento. 

Além disso, diria que também mudou a nossa visão de negócio, a forma como encaramos este projecto não apenas como um hobby mas como algo maior que queremos fazer crescer e levar mais longe. 

Em relação à forma como chegamos ao nosso público diria que as redes sociais são o nosso maior motor, seguido pelo boca-à-boca. 

A melhor publicidade que podemos ter é aquela que é feita pelo nosso público, entre família e amigos. 


- ⁠Qual é ou foi o teu maior desafio? Planos para o futuro?

O maior desafio sem dúvida que tem a ver com a parte logística e burocrática que enfrentamos por cá. 

Por vezes, é drenante resolver assuntos com os nossos órgãos públicos e é frustrante sentir que temos poucos apoios para quem quer empreender em Portugal. 

Os planos para o futuro passam por fazer crescer a marca, queremos que até ao fim do ano a The Custard Cookies seja uma marca reconhecida em Portugal. 


- Diz-nos uma frase que gostes e que te acompanhe ao longo da tua vida?

Não tenho propriamente uma frase que me marque mas gosto de ver a vida como se fosse sempre um copo meio cheio e costumo pensar que se os outros conseguem determinada coisa, então é porque está ao alcance de todos e eu também chegarei lá. 

- Indica uma música para acompanhar esta tua entrevista.

“I just called to say I love you”, Stevie Wonder. Esta caminhada tem sido apoiada sobretudo no amor que temos e depositamos em cada encomenda e em cada cookie que sai das nossas mãos! 


Muito obrigada Rita, desejo sinceramente que alcances os teus sonhos e objetivos!

No que eu puder, cá estarei para te ajudar a divulgar estes "sonhos" doces, mesmo não os comendo ☺️!

Beijos e abraços.
Sandra C.

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