segunda-feira, agosto 21, 2006

Poesia

Não sou muito dada a ler poesia, mas existe uma poetisa que me marcou pela sua simplicidade na escrita e também como pessoa.
Maria de Lourdes Agapito, conhecia-a há já alguns anos, numa noite de poesia, onde era convidada especial.
Brindou-nos com a sua companhia e no final do serão ofereceu a cada uma das meninas que estavam presentes um livro de sua autoria intitulado ”Para além do caminho” editado em 1992.
Hoje numa simples homenagem a uma mulher que me têm inspirado, deixo aqui dois dos seus poemas que eu mais aprecio:

"Silêncio que quero gritar”

Chegou a hora do silêncio,
quero gritar...gritar...gritar,
tenho asas, muitas asas...
e não me deixam voar...
Quanto mais grito, quanto mais sofro,
mais me apetece gritar!

Grito o calor da terra-Mãe
no crânio da campina,
grito, grito o meu gesto
suspenso desde menina!
Grito um só instante, em pensamento,
no ritmo que enrola o meu ser,
e abraço o azul de uma alma arrefecida
num corpo de mulher!

Grito este sentir que nasceu comigo
na vastidão do meu olhar...
quebrando o espaço que eu abraço,
de pé, na solidão do meu gritar!


"O meu grito"

Abram caminhos e deixem-me passar,
quero seguir o meu próprio destino,
sentir bem a minha vocação
e cantá-la como um hino!
Abram caminhos e deixem-me passar,
por entre a anónima multidão,
há muita inspiração por realizar
com os olhos no céu e os pés firmes no chão!

Abram caminhos e deixem-me passar,
achei caminhos que quero seguir,
encontrei a criação e quero louvar
a Natureza-Mãe na Primavera a florir!
Abram caminhos e deixem-me passar,
há uma voz e um grito dentro de mim,
como as flores que estão a desabrochar
e perfumam um sinuoso jardim!

Deixem-me passar abram caminhos,
quero viver com o direito de gritar;
que as rosas não são só folhas e espinhos,
abram caminhos e deixem-me passar...

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