terça-feira, abril 10, 2007

Catarina Eufémia Baleizão

Nas lutas que antecederam a Revolução dos Cravos, existe várias personalidades que de algum modo ficaram ligados a ela, os que cantavam a revolta ainda que discretamente, poetas que escreviam nas entrelinhas e políticos que foram forçados a fugir de um pais que era controlado pelo lápis azul.
Para além de figuras públicas, existiam anónimos que de alguma forma deram também a sua contribuição, um desses anónimos foi Catarina Eufémia, o seu nome pode até ser desconhecido para alguns nos dias de hoje, mas foi esta mulher que ficou a ser um ícone da luta dos trabalhadores agrícolas no Alentejo.

Existe muitas histórias contadas em redor desta mulher, muitas que não correspondem á realidade.
Catarina Eufémia morreu a 19 de Maio de 1954, assassinada a tiro na aldeia de Baleizão aquando uma greve de trabalhadores agrícolas que reivindicavam entre outras coisas o aumento da jorna sazonal.

Ao contrário do que conta a história, o médico que a autopsiou confirma uns anos depois, que Catarina não estava grávida quando se deu a sua morte.
Se esta é a verdade ou não, agora não interessa discutir, interessa sim lembrar uma mulher que apesar de não ter conhecimento político da causa, sabia o que vivia e como sobrevivia ás custas de trabalhar de sol a sol tendo apenas como recompensa um modesto, se não quase inexistente salário e que mal dava para fazer umas sopas de cebola.
Mais tarde, esta história inspirou muita gente, tal como José Morale na peça de Teatro “Ao Atiçar do Lume” e também Zeca Afonso nesta canção.


Cantiga do Monte

Chamava-se Catarina
O Alentejo a viu nascer
Serranas viram-na em vida
Baleizão a viu morrer
Ceifeiras na manhã fria
Flores na campa lhe vão por
Ficou vermelha a campina
Do sangue que então brotou
Acalma o furor campina
Que o teu pranto não findou
Quem viu morrer Catarina
Não perdoa a quem matou
Aquela pomba tão branca
Todos a querem p'ra si
Alentejo queimado
Ningéum se lembra de ti
Aquela andorinha negra
Bate as asas p'ra voar
Alentejo esquecido
Inda um dia hás-de cantar

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