Pesquisar neste blogue

quinta-feira, março 08, 2018

Cátia Moreso - La "picolla" diva!


A entrevista de hoje, traz-nos uma mulher cheia de graça e talento.
Mezzo soprano de profissão, com os seus 36 anos já conta com vasto leque de participações em várias óperas tantos no nosso país como também no estrangeiro, como também vários concertos sempre dentro do seu repertório lírico que tão bem a distingue.
Dona de um sorriso e energia contagiante, aqui fica a entrevista, da mulher, cantora, mãe e dona de casa...

Com quantos anos começaste a tua carreira?
- O que se pode chamar carreira? Quando comecei a trabalhar ou estudar? 
Eu quis começar o conservatório com 16 anos na classe de guitarra. Na altura achei que seria “cool” aprender a tocar as “dunas” ou música dos Metallica. 
Pedi aos meus pais para ir para o conservatório e foi assim que tudo começou. Entrei para o conservatório D. Dinis e comecei a ter aulas de formação musical, coro e guitarra. 
Apaixonei-me por cantar no coro e assim que tiveram aulas de técnica vocal/canto no conservatório, eu inscrevi-me. 
Pensei que iria cantar as Whitney Houston e as Céline Dions todas mas, estava enganada. 
Heheheh... apaixonei-me por canto lírico e por ópera. 
E foi desde esse instante com 19 anos que soube o queria fazer quando “crescesse”.

Ser cantora de ópera era o teu sonho de criança?
- Não, muito longe disso. O meu sonho de criança era ser veterinária pois gostava muito de animais e de cães principalmente. Na faculdade gostaria de ter tirado biologia para poder estudar os animais e ir para o meio do mato como no National Geographic, mas quando a música apareceu na minha vida a sério, o mundo da ciência deixou de fazer sentido para mim. 
Fui parar a design de interiores no IADE. 
Assim que acabei a licenciatura fui para Londres tirar a licenciatura e o mestrado em Canto lírico onde fiquei durante quase 7 anos.

Cátia Moreso é o teu nome artístico ou o teu nome verdadeiro? 
- É o meu nome. Por acaso gostaria de ter o nome artístico de Katya Moreso mas não sei se nesta altura já será demasiado tarde para alterar.
Ainda hoje tenho problemas com o meu apelido que muitas vezes é mas escrito.

Quanto tempo ensaias por dia?
- Depende, se estou em produção de uma opera ou ensaio para concertos ou estou a estudar em casa. 
Em produção depende muito do papel que estás a representar mas nunca vão para além das 6h por dia. 
Ensaio para concertos julgo que não mais do que 6 horas também. 
O estudo em casa... esse é quando e quanto tempo me deixam. Com os filhos em casa é difícil estudar.

Qual foi a personagem mais difícil que tiveste de encarnar? E a que teu mais prazer?
- A mais difícil? Hummm... qualquer uma tem o seu grau de dificuldade mas a mais difícil talvez tenha sido a Jezibaba na Rusalka de Dvorák em checo. A língua checa é muito diferente da nossa e ter de decorar “sons” foi muito complicado. 
Mas o desafio para mim é uma das coisas que mais me motiva.
O que me deu mais prazer foi sem dúvida o papel da princesa Eboli na opera Don Carlo de Verdi, pois é um dos meus papéis preferidos. 
Mas foi igualmente prazeroso o da Madame Croissy nos Diálogos das Carmelitas de Poulenc. 
São ambos papéis dramáticos. Eu adoro um bom drama! 
Se bem que os papéis cómicos são muito bons de fazer também. Acho muito difícil não gostar de cada uma das personagens que já interpretei. 
Todas me ficam no coração!



Nos concertos que fazes o que cantas? Músicas mais comerciais?
- Todos os concertos que faço são de música clássica. Nunca cantei nada mais comercial excepto em alguns eventos privados algumas canções de musicais. Fora isso só oratória, opera. 

Se não fosses cantora de ópera, que profissão terias?
- Humm... difícil de responder pois gostaria de fazer tanta coisa... tudo mais ligado a arte! 
Não me importava de ser encenadora, cenógrafa, figurinista, agente artística, maquilhadora, artesã, cozinheira... e poderia estar aqui a dizer mais...

O teu filho gosta de te ouvir cantar?
- Nem por isso... só se forem mesmo as músicas infantis... de resto diz “mãe não cantes tão alto!” Hehehhe

O que fazes quando não estás em ensaios em espectáculos? 
- Fico em casa a estudar para o próximo trabalho e sou mãe, mulher, dona de casa...

O que sentes quando cantas? 
- Sinto uma liberdade extrema, sinto que naquele momento sou luz e que dou algo a quem me ouve. 
Sinto que naquele segundo não há “roupa para lavar” não há “contas para pagar” só existe música! 
Sinto que a cantar sou feliz! 


Que personagem ou que ópera gostarias de fazer?
- Gostaria muito de cantar a Charlotte na opera Werther do Massenet mas não sei se algum dia terei esse prazer pois normalmente não escolhem o meu “tipo” de voz para o papel, muito menos a minha figura física...

Sei que também gostas de fazer algumas coisas em artesanato,. o que fazes? O que te inspira?
- Gosto! Gosto principalmente de trabalhar em papel. 
Qualquer coisa me inspira, as ideias vêm dos objectos... adoro criar! Tenho mais prazer a criar do que a executar por exemplo. 

Este gosto pela música é uma tendência familiar? Como encararam os teus pais esta decisão de ser cantora de ópera?
- Na minha família eu e a minha irmã do meio fomos as primeiras e até agora únicas a sermos músicos como profissão. Tínhamos uma prima que tocava piano e acordeão mas não fazia isso da sua vida. 
Os meus pais ficaram preocupados com toda a razão. Ser músico é complicado. Somos trabalhadores independentes. 
Não recebemos um salário mensal, não estamos vinculados a ninguém... mas no país que estamos já sabemos como a vida de um trabalhador independente é... 
Fora o estarmos sempre com a corda no pescoço, principalmente se não nos pagam no tempo estipulado. 
Os meus pais acharam melhor eu tirar um curso mais estável e eu tirei o Design mas depois disso tinha de perseguir e lutar pelo meu sonho. E mal ou bem ainda aqui estou! 

Como geres a tua vida familiar quando estás mais assoberbada de trabalho ou quando estás ausente de Portugal?
- Ui... é complicado. Agora com duas crianças ainda pior. É muito doloroso emocionalmente me ausentar do país e deixá-los ficar... as saudades são imensas e a preocupação triplica. 
Mas é o meu trabalho e penso sempre que faço isto para lhes poder dar tudo de melhor. 
Gerir a Cátia Moreso Mezzo-soprano é difícil com a Cátia Moreso mãe, mulher e dona de casa. O dia não estica... há sempre tanto por fazer e fica tanta coisa para o dia seguinte... às vezes gostava de ter uma varinha mágica para deixar tudo feito!

Tens estabilidade no teu trabalho. Ou seja eu tenho um contrato de trabalho, no teu caso como funciona?
- Não tenho estabilidade alguma. Posso ter um concerto hoje e ter outro só daqui a 2 meses ou até algumas épocas é tudo ao mesmo tempo. 
No ano passado nos Dias da Música no CCB cheguei a cantar em 3 concertos de seguida. Um as 18h, outro as 20h e outro as 22h. Escusado será dizer que estava esgotadíssima... 
Mas em relação aos contratos, somos contratados a recibo verde e pronto... 
É uma vida muito incerta e tem de se ter um jogo de cintura muito grande, tanto a nível físico como a nível mental.

Mensagem:
A minha profissão é uma das melhores do mundo, não é rotineira, estamos sempre a criar uma personagem diferente uma produção diferente, estamos em contacto com música que por si só já é terapêutico e estamos a dar algo a alguém quando nos ouve ou vê. 
Espalhamos amor por todo o lado! Música é amor! Arte é amor! 
Há algo mais bonito é melhor que isto?

Cátia Moreso

As fotos aqui colocadas foram gentilmente cedidas pela Cátia

2 comentários:

  1. Comentário da Andreia Morais do blog As janelas da minha casa encantada.
    Desculpa Catia que sem querer apaguei o teu comentário....

    Que entrevista inspiradora! Gostei muito de ficar a conhecer a Cátia :)

    r: Muito obrigada :) fica sempre tanto por ver. Quando era mais nova, tive a sorte de passear imenso e de conhecer muitas zonas do nosso país, mas, estupidamente, nem sempre dei o devido valor a isso. Hoje arrependendo-me. E espero ter a oportunidade de regressar
    Fico muito feliz por ler isso *.*

    Beijinho grande

    ResponderEliminar
  2. Parabéns pela entrevista :) gostei bastante :) e adorei conhecer a vida desta artista :) continuação de muito sucesso para a Cátia :) e parabéns Sandra por nos trazeres mulheres tao inspiradoras :)
    Beijinhos

    ResponderEliminar

Pode comentar... o Bluestrass não morde!