quarta-feira, janeiro 30, 2013

Existem dias assim ...



... em que não me apetece levantar de manhã...
... em que só apetece não por os pés no trabalho.
... em que me apetece mandar algumas coisas ás favas...
... em que me apetece estar no meio do nada, sob um sol de verão...
... em que me apetece tudo e nada!

Existem dias assim...

Cumprimentos a todos...
Sandra C.

sábado, janeiro 19, 2013

"E Depois do Adeus" - Saber entender o reverso da medalha...


"E depois do Adeus", é uma música que todos ou quase todos a conhecem como sendo a canção de inicio à revolução de 74. No entanto esta noite na RTP 1 começou uma série em que tem esta música como banda sonora.
A série trata do pós revolução, de quando a Portugal chegaram os retornados vindos das ex-colónias (nesta fase mais propriamente de Angola). Até agora, nada de novo vos estou a contar... o que queria vos contar é outra coisa. Para mim que nasci em 74, os retornados não passavam de pessoas que invadiram o o nosso país... houve uma fase em que realmente me apercebi que não era bem assim, mas mesmo assim estas pessoas eram olhadas e faladas de lado (Ahhh, vê-se logo que é retornado..." , mais tarde tive contacto directo com alguém que era retornado e diga-se de passagem que a impressão que fiquei não era das melhores.
Tudo isso mudou quando um dia em pleno trabalho, bati à porta de alguém (num bairro em que muitos retornados viviam) e depois de ter feito aquilo que me competia, que era tentar vender um aspirador, o casal de velhotes, me convidou para nessa tarde, ir tomar chá a sua casa. Nunca tal me tinha acontecido e o mais correcto seria negar o convite, mas para alguém como eu que gosta de uma boa conversa, algo me levou a aceitar o convite e nessa tarde lá estava eu pelas 17h00 na casa dos ditos senhores. Bebemos o chá e a conversa foi-se desenrolando e então este simpático casal, contou-me a história deles, como tinha sido a vida deles lá, tudo o que tinham construído, antes de virem embora, como foram os dias antes de virem, dos tiros que circundaram a sua casa, do medo, da incerteza sobre o que deveriam fazer, um tudo e nada... Não eram pessoas que vivessem mal, mas psicologicamente viviam, tinham estas e outras memórias amordaçadas e nesse dia eu fui a sua confidente (diga-se de passagem que muito me orgulho disso). Em Portugal tal como já disse não viviam mal, mas para passarem melhor os dias, sem pensarem demasiado em outras coisas, tinham comprado um pequeno terreno, onde deitaram mãos à terra e cultivavam produtos para consumo próprio, coisa que nunca antes tinham feito. Digam lá que não é de louvar, a capacidade destas pessoas de passarem por cima de um orgulho e de tudo em que acreditavam...
Esta foi uma das muitas lições de vida que aprendi, ao falar com pessoas mais velhas, muitos de nós acham aborrecido falar com os velhos, mas eu falo por mim, adoro! Aprendo sempre qualquer coisa que desconheço, surpreendo-me sempre com qualquer coisa que já aconteceu na vida destas pessoas... também acredito que para eles é importante terem com quem falar, terem quem os oiça, amenizando assim a solidão e outros sentimentos que corroem os seus corações...
Desta série, fica o desejo de realmente ficar a conhecer um pouco mais sobre uma realidade pouco desvendada...

Cumprimentos e bom fim-de-semana
Sandra C.

domingo, janeiro 13, 2013

Uma "crise" de pensamentos....

Imagen from http://animespirit.com.br/

Neste inicio de ano de 2013, para além da crise e mais crise e de todas as crises, que se vêem e ouvem falar... também eu me sinto em crise. Não que as outras não me afectem, afectam, logicamente, não vou ser hipócrita, como alguém que conheço que perante as noticias, aquilo lá deve lhe passar ao lado (pelo menos no imaginário da pessoa) e diga bem alto que a crise é tudo uma questão psicológica!! Enfim... hoje, não estou aqui para falar disso!
Estou aqui para falar num assunto que me tem incomodado ao longo dos últimos meses, que é o facto de cada dia, cada semana, cada mês, ter menos pessoas com quem me identifico  com quem consigo ter uma conversa decente no meu local de trabalho, pois as poucas pessoas com quem consegui ter uma conversa, aos poucos vão embora, vão para outros projectos, mudam de horário, dão novos rumos à vida!!
Não que ache mal isso, não acho, bem pelo contrário, mas deparo-me com a questão que cada vez mais dou conta de mim a isolar-me, a não ter com quem falar, a passar horas de almoço a desejar que elas passem, para que o resto das horas que me falta para o fim desse dia, desapareçam também...
Sempre tive bastante facilidade em fazer amizades, mas uma coisa é travar amizades, outra coisa é tu descobrires realmente pessoas com quem tu te identificas, nos teus gostos, nos assuntos que te interessam. Também é interessante encontrares pessoas diferentes de ti (os opostos atraem-se), mas acho que a idade está-me a criar dificuldades em relacionar-me com os outros. Já não tenho paciência para conversas da treta, sem fundo, conversas de ocasião, que não tem qualquer fundamento ou objectivo.
Dou por mim a afastar-me, a isolar-me, sinto-me a estupidificar... este sentimento para mim já não é novidade, em outros locais onde trabalhei, já o tinha sentido antes. Não tenho paciência para discutir a novela, a "Casa", ou outras coisas que tais...
Tenho dito!!

Cumprimentos a todos e que o ano de 2013, apesar de afigurar negro, seja bem colorido, com altos e baixos, pois é disso que a vida é feita!
Sandra C.